EUSÉBIO (25 de Janeiro de 1942 – 5 de Janeiro de 2014) Eterno

Eusébio nasceu no bairro da Mafalala, em Maputo, em Moçambique (colónia portuguesa até 1975), filho de Laurindo António da Silva Ferreira, ferroviário, branco, natural de Angola, e de Anissabeni Elisa, uma negra moçambicana. Foi o quarto filho do casal. Criado numa sociedade extremamente pobre, costumava faltar às aulas para jogar descalço futebol com os seus amigos em campos improvisados e utilizando bolas de futebol improvisadas. O seu pai morreu de tétano, quando Eusébio tinha 8 anos de idade, de modo que Elisa tomou quase exclusivamente cuidado parental do jovem Eusébio.

Antes de se transferir para o Benfica, aos 15 anos jogou na equipa Os Brasileiros Futebol Clube, em Moçambique.Mais tarde procurou inscrever-se no Desportivo, filial moçambicana do Benfica, mas não foi aceite, por ter um problema no joelho. A vontade de jogar futebol falou mais alto do que o clubismo, por isso dirigiu-se ao Sporting de Lourenço Marques. Tendo sido aceite nesta filial moçambicana do clube leonino de Lisboa, Eusébio jogou de leão ao peito até à sua ida para Portugal.

ESTREIA COM HAT-TRICK

Estreou-se no Estádio da Luz a 23 de Maio de 1961, numa partida amigável contra o Atlético, em que marcou três dos quatro golos do Benfica. As peripécias que se sucederam desde a sua chegada atrasaram a assinatura do contrato, o que iria impedir de estar presente em Berna, na noite do primeiro triunfo europeu do Benfica. A sua fama internacional vem do jogo da segunda final europeia do Benfica em 1962, contra o  Real Madrid. Não só marcou dois golos como fez uma exibição de luxo com as características que o iriam tornar famoso: a velocidade estonteante e o remate fortíssimo.

A “France Football” considera-o o segundo melhor jogador do mundo, em 1962. Os convites para jogar no estrangeiro obviamente surgiram. A Juventus oferece-lhe 16.000 contos, em 1964, numa altura em que ganhava 300 contos no Benfica. A tentação era tão grande que o Governo de então o envia para a tropa, não permitindo que se venda um tesouro nacional deste tamanho. O Benfica acabaria por lhe aumentar o salário para 4000 contos. No Mundial de 1966, em Inglaterra, torna-se definitivamente uma estrela mundial, um digno rival de Pelé. O epíteto de “Pantera Negra” vai correr o mundo. A facilidade de marcar golos torna-o no melhor marcador do Mundial com nove golos, ajudando a levar Portugal  ao terceiro lugar. Após o Mundial, os italianos fazem uma nova oferta a Eusébio: 90.000 contos. Quando parecia que desta vez nem o Governo poderia impedi-lo de aceitar, surge a notícia de que os clubes italianos deixam de poder contratar jogadores estrangeiros.

SELECÇÃO PORTUGUESA

Estreou-se na Selecção Nacional Portuguesa a 8 de Outubro de 1961.

Em 1966, vestindo a camisola das “Quinas”, foi um dos protagonistas do Campeonato do Mundo jogado em Inglaterra. Com uma prestação fenomenal, Eusébio foi uma das principais armas portuguesas para uma das melhores campanhas internacionais de sempre. Logo no primeiro Campeonato do Mundo, Portugal chegou aos quartos-de-final, deixando pelo caminho equipas como a da Coreia do Norte (a grande surpresa do torneio, logo depois de Portugal), Hungria e Brasil (um dos principais favoritos, sendo que de entre uma equipa genial se destacava o número 10, Pelé). Portugal acabou por sair derrotado contra a equipa da casa, numa partida que ficou conhecida como “Jogo das Lágrimas”, e que ficou marcada por contestações à organização do torneio.

A marca de Eusébio de golos marcados no Campeonato do Mundo de 1966 ficou registada como a maior da prova.

Eusébio obteve a sua última internacionalização a 19 de Outubro de 1973.

LESÕES E LESÕES

A carreira de Eusébio foi recheada de lesões, tendo sido operado 6 vezes ao joelho esquerdo e 1 vez ao direito. Nunca deixou de jogar, mesmo em condições dolorosas, até porque sabia que o Benfica dependia muito dele e que os espectadores não aceitariam bem a sua ausência. Realizaram-lhe uma festa de despedida, em Setembro de 1973, mas continuou ainda a jogar até 1979.

A sua última partida com a camisa do Benfica foi no dia 18 de Junho de 1975, frente à selecção africana, em Casablanca.

Eusébio obteve a sua última internacionalização a 19 de Outubro de 1973.

Eusébio aposentou-se em 1979 e fez parte da comissão técnica da Selecção Nacional Portuguesa até ao seu falecimento.

Recorde-se que em 8 de Outubro de 1965 Eusébio se casou com Flora Claudina Bruheim, e tiveram duas filhas, Carla Elisa Bruheim da Silva Ferreira (1966) e Sandra Judite Bruheim da Silva Ferreira (1968).