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A dança dos promovidos para o nosso Moçambola

Fair-Play

Estão, há bastante tempo, estabelecidos os critérios de rotação, entre promoções e despromoções das nossas equipas em diferentes competições do calendário futebolístico elaborado pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF), desde as provas das camadas de formação até à principal prova, que é o Moçambola.

Para o caso desta prova, é sobejamente sabido que anualmente abrem-se três vagas, sendo uma para cada zona, para igual número de lugares deixados livres por equipas que não consigam estar acima do antepenúltimo lugar da tabela classificativa final, independentemente da zona de origem dos despromovidos.

Nas disputas de diversos campeonatos no país, principalmente os provinciais, tem se ouvido e lido, de forma recorrente, tanto dito pelos treinadores, como pelos dirigentes, que a meta é chegar ao Moçambola. Na Divisão de Honra a frase ganha mais eco, nunca aparecendo qualquer competidor a colocar a manutenção neste escalão transitório para a principal prova como meta de uma determinada temporada. Todos apostam em chegar lá… ao Moçambola.

No entanto, pelo histórico dos últimos tempos, começo a ficar preocupado com o nível de importância que os gestores desportivos (futebolísticos, no caso vertente) depositam nesta modalidade e nas respectivas competições. Sendo mais incisivo, o discurso de pretensão de chegar ao Moçambola não é compensado pelo carinho, dedicação e preservação do valor da conquista que seriam de esperar. O que se verifica, regra geral, é um movimento repetitivo de “chegar, ver e… voltar!”. Salvo raras e honrosas excepções, as equipas que chegam ao Moçambola dificilmente conseguem a manutenção no ano seguinte.

Para não recuarmos para um ponto bem distante (até porque o que mais conta e deve preocupar são os dados mais actuais) podemos rever o cenário de 2016, em que entram para a grande prova do nosso futebol as formações do Desportivo do Niassa (Zona Norte), do Chingale de Tete (Zona Centro) e do Estrela Vermelha de Maputo (Zona Sul). Deste trio, apenas o Chingale conseguiu “sobreviver” a muito custo, no Campeonato Nacional, com Mussá Osman no comando técnico. O Desportivo do Niassa e o Estrela Vermelha entraram, viram e não ficaram!

Analisado unilateralmente as possíveis causas, salta-me à vista um “romantismo” exagerado, ou uma forma de nulidade profissional de “agradecer” aos obreiros da façanha (qualificação da equipa), em detrimento da qualidade e níveis de exigências que uma prova de dimensão nacional como o Moçambola impõe. Mantém-se o treinador que tiver levado a equipa ao objectivo, esquecendo-se que o outro escalão seguinte é, inequivocamente, o superior e para o qual não esteve a trabalhar na época anterior. Investem pouco na composição do plantel, porque querem levar os rapazes a uma outra realidade, para a qual não conseguiram convencer os respectivos “misteres” a apostarem neles para os plantéis que disputavam a prova. E dá nisto: o violento choque com a dura realidade, porque surpresa para todos (dirigentes, treinadores e muitos jogadores).

Este ano o Sebastião Sitói, que qualificou a AD Macuácua, foi a aposta de Timóteo Fuel. É certo que começou com Artur Comboio, homem que ainda não teve o ensejo de liderar uma equipa técnica no Moçambola, mas quando decidiu voltar para o seu Costa do Sol, poucas semanas depois, voltou-se à prata da casa. Houve pouco investimento no plantel, facto que se agravou com a impossibilidade de fazer jogos no meio onde conseguira a qualificação. A matreirice de Nacir Armando encontrou o leite derramado e o regresso à Divisão de Honra parece ser o destino certo.

A UP Lichinga ainda tentou enveredar pelo cenário diferente, mas não na totalidade, pois até então o currículo do meu amigo Victor Matine só se resumia a treinador-adjunto, com uma teoria futebolística, indiscutivelmente, para dar e doar. Dada esta ligeira diferença, ainda tentou, Victor Matine, resgatar alguns nomes do Moçambola, mas a Direcção da UP Lichinga deve ter tido problemas de tesouraria para fazer o melhor. Agora com 22 pontos, depois da 23ª jornada do Moçambola, de novo com Salvador Chamba, homem que qualificou a equipa para o “Nacional” (Matine pediu demissão), o destino parece ser mesmo o regresso à Divisão de Honra.

O Textáfrica tem 27 pontos. Ainda não está em situação de conforto, mas quando jogadores como Magaba, que já foi descartado por equipas do Moçambola, volta a esta grande roda pelos “fabris” do Chimoio, alguma coisa não deve estar “no ponto”.

Abro eventual espaço para alguma infelicidade na minha colocação, mas que fique o registo da necessidade de reflexão em relação aos direitos e (principalmente!) deveres das equipas que se qualificam para o Moçambola.

PS: O Ferroviário de Maputo ganhou o Moçambola de 2015. Quis “agradecer” ao treinador Carlos Manuel (Caló), mantendo-o no comando da equipa técnica. Não houve divórcio, porque entre empates e derrotas acabou se arrastando o ano até ao fim, com os “locomotivas” longe das expectativas dos seus associados, em termos de objectivos finais da temporada. O certo é que o percurso não foi pacífico.

Com todo o fair-play…

César Langa

 

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