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Agora percebo porquê não deixaram Nyusi receber a selecção de futsal

O antigo Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, disse uma vez de forma clara o que acontece com um indivíduo que depois de uma terrível quanto esgotante campanha eleitoral chega à presidência de um país.

E disse-no curiosamente aqui em Moçambique, ali no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano.

Disse Lula da Silva que o indivíduo galga estradas e caminhos, atravessa rios, apanha frio, chuva, tempestades e afins em campanha eleitoral mas que, exactamente depois da sua vitória e consequente eleição, no dia em que é empossado, vai aparecer um “cara” que você mal conhece para lhe dar ordens. Esse indivíduo vai dizer, de forma simpática e educada que, “Senhor Presidente, não vai por esta porta, mas sim por aquela. Não vai neste carro, mas naquele. Não vá comer naquele restaurante, mas sim naquele outro.”

Naquele instante, terá dito Lula da Silva, numa minha citação de memória, que nesse momento você percebe a força da burocracia.

Só uma situação similar pode explicar duas situações distintas em uma que aconteceram e cujos efeitos ainda se fazem sentir nos dias que correm no desporto moçambicano.

Em Abril do ano passado a Selecção Nacional de Futsal participou no Campeonato Africano das Nações (CAN), organizado pela África do Sul e que era qualificativo para o Campeonato do Mundo da FIFA, havido em Setembro do mesmo ano, na Colômbia.

Depois de uma preparação algo cuidada, que inclui viagens a Angola e Portugal para jogos de controlo, Moçambique foi ao país vizinho conquistar a medalha de bronze, em função de ter terminado a competição em terceiro lugar. Como bónus, a Selecção Nacional qualificou-se para o Mundial da Colômbia.

Um feito tremendo para o desporto moçambicano, que em mais de 40 anos de independência participava pela primeira vez num torneio da FIFA.

Quase um ano depois desse feito e depois que a onda de insatisfação que se ouvia em surdina por parte dos actores materiais dessa façanha tornou-se pública, reclamando a não activação por parte do Ministério da Juventude e Desportos (MJD) do Regulamento de Premiação Desportiva para agraciá-los, eis que na semana passada ficámos a saber que os heróis de Joanesburgo não vão receber um centavo que seja do Estado.

O MJD socorre-se do próprio regulamento, que clarifica que a premiação desportiva do Estado destina-se somente a modalidades olímpicas, pelo que o futsal estava excluído.

Eu não estou para discutir a lei, mas sim para discordar vivamente com a exclusiva interpretação da sua letra e a ignorância que se faz aos anexos da mesma norma.

É que, não sendo o futsal uma modalidade olímpica e por isso excluída, de acordo com a lei, certo é que quem do MJD ordenou para que a Selecção Nacional não fosse premiada está a ignorar a alínea que dá uma prerrogativa ao próprio ministro da Juventude e Desportos para ordenar uma premiação a uma selecção ou equipa que tenha alcançado feitos extraordinários e que tenham orgulhado o país.

Ora, se o futsal cabe nessa alínea, não percebo a razão de não ser premiado pelo Estado.

É que num passado recente este mesmo Estado que hoje recusa-se a premiar a selecção de futsal com recurso à já citada alínea foi o mesmo que pegou esta alínea do regulamento em causa para premiar a Selecção Nacional de Hóquei em Patins, em 2006; a equipa sénior feminina de basquetebol do Desportivo de Maputo em 2007 e os Mambas em 2009.

Na época, quando Moçambique conquistou o Campeonato do Mundo do Grupo “B”, disputado no Uruguai, o então ministro da Juventude e Desportos, David Simango, socorreu-se dessa alínea para atribuir um prémio de 100 mil meticais a cada atleta, treinadores e pessoal de apoio da Selecção Nacional.

Um ano depois foi sob cobertura dessa alínea que David Simango ordenou a atribuição de um prémio de 25 mil meticais às jogadoras alvi-negras que haviam se sagrado campeãs africanas.

Finalmente, quando em 2009 os Mambas passaram da primeira para a segunda e última fase de qualificação ao CAN e Mundial de 2010, David Simango – sempre ele – protegeu-se dessa alínea para atribuir 500 dólares a cada atleta que participou nessa campanha.

Nos três casos expostos, se David Simango tivesse feito uma interpretação à letra da lei, ignorando-lhe o espírito e a alínea que salvaguarda casos excepcionais, nem a selecção de hóquei em patins, o Desportivo de Maputo e muito menos os Mambas teriam sido premiados.

Outrossim é que nos três casos acima expostos essas equipas foram recebidas em audiência e publicamente agradecidas pelos feitos extraordinários atingidos e que honraram o país e os moçambicanos pelo ex-Presidente da República, Armando Guebuza.

Portanto, se os técnicos do MJD não deixaram que Filipe Nyusi recebesse a selecção de futsal, não se precisa ser inteligente para perceber o que queriam.

Também não queriam accionar a alínea que lhe protege para premiá-la.

Desportista que é, antigo presidente do Ferroviário de Nampula e por isso conhecedor do valor do estímulo a um atleta para atingir altos voos, Nyusi teria recebido a selecção de futsal com muito prazer, mas os burocratas do MJD bloquearam esse momento.

Vale lembrar que em 2020 haverá outro CAN de futsal, pelo que não nos surpreendamos se não houver interesse por parte dos melhores atletas para dedicarem tempo e energia a uma preparação que possa levar Moçambique aos lugares de pódio e qualificativos ao Mundial.

Narciso Nhacila

 

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Classificação do Moçambola 2017

Equipas
J V E D GM GS P
1 U.D. Songo 23 15 4 4 28 13 49
2 Costa do Sol 22 12 6 4 29 13 42
3 Clube de Chibuto 23 10 7 6 23 20 37
4 Liga Desportiva 23 9 7 7 30 25 34
5 F. de Nacala 23 9 7 7 17 16 34
6 D. Nacala 23 7 11 5 17 13 32
7 F. de Maputo 23 9 5 9 21 20 32
8 ENH de Vilankulo 22 7 8 7 24 22 29
9 F. de Nampula 23 5 13 5 18 17 28
10 Textáfrica de Chimoio 23 7 7 9 21 24 28
11 F. da Beira 20 6 9 5 24 19 27
12 Maxaquene 23 6 9 8 20 20 27
13 1º De Maio 23 6 7 10 25 31 25
14 Chingale de Tete 23 6 5 12 24 36 23
15 UP Lichinga 22 5 7 10 10 18 22
16 A D Macuácua 23 3 6 14 11 35 15
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Mambas

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