Maxaquene volta a ser um vale de lágrimas

Dez anos depois, o Ferroviário volta a ocupar a segunda posição da Taça de Clubes Campeões de África em seniores femininos. Em 2006 perdeu o troféu para o 1.º de Agosto de Angola, em Libreville (Gabão). Desta vez foi em Maputo (Pavilhão do Maxquene), mas de novo diante duma equipa angolana. As “locomotivas” perderam diante do InterClube (67-49). Anabela Cossa foi a melhor triplista e consta do “cinco ideal” da FIBA. A derrota relembra o segundo lugar do Afrobasket perdido diante de Angola no mesmo pavilhão em 2013. A capitã Inguivild Mucauro foi o rosto mais visível do mar de lágrimas!

O jogo da final começou já com o Pavilhão de Maxaquene praticamente lotado. Ainda se acomodavam os espectadores quando a endiabrada Italee Lucas inicia o jogo com um triplo que congelou a “catedral” do basquetebol nacional. Do lado do Ferroviário, Anabela Cossa procurava espaços para dar réplica, mas as vice-campeãs africanas já tinham feito o devido trabalho de casa e bloquearam a triplista de todas as formas, tendo sofrido duas faltas severas em duas jogadas consecutivas.

A jogadora do InterClube volta a fazer um triplo, ante a incapacidade de fazer cestos da equipa de Leonel Manhique. Em menos de quatro minutos o Ferroviário perdia por 12-0! Leonel Manhique mandou parar o jogo imediatamente. Era preciso redefinir as estratégias, estava-se diante de enormes dificuldades. Mas o público não vergou, deu a devida energia à “locomotiva”.

O InterClube apresentava-se extremamente forte tacticamente e intransponível. As bolas até rolavam no arco das angolanas, debalde. Teimavam em não roçar as redes. Foi com um triplo da possante Inguivild Mucauro que o Ferroviário conseguiu os primeiros pontos (14-3), depois de seis minutos. Anabela aproveitou o momento de entusiasmo da equipa e trocou os olhos às suas adversárias para fazer dois pontos, com direito a um lançamento livre, que depois não concretiza. O InterClube continuava tecnicamente muito forte (18-5) na fase inicial do encontro. O Ferroviário recuperava a sua postura defensiva e conseguiu por algum momento limitar a acção das angolanas, que saíram do primeiro período a vencer por 15 pontos (22-7). O Pavilhão do Maxaquene já estava completamente preenchido, mas continuavam a entrar dezenas de pessoas.

Italee fazia um jogo relaxado, disparando “bombas” certeiras na linha dos três pontos. Onélia entrou para defender Italee, mas foi difícil parar a americana. O Ferroviário defendia com raça, mas pouco feliz nos investimentos ofensivos, quase sempre atacando no limite dos 24 segundos. Os triplos não caíam, ou melhor, poucas vezes tentava-se.

A equipa de Apolinário Paquete venceu a 22.ª edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos (67-49) num jogo em que Italee Lucas fez 26 pontos (fez cinco dos seis triplos tentados) e a sua colega Pauline Akonga ajudou com 18. Do lado do Ferroviário, Anabela Cossa e Odélia Mafanela contribuíram com 17 e 15 pontos, respectivamente.

FICHA TÉCNICA

INTERCLUBE – Italee Lucas (26); Merciana Fernades (não jogou); Rosemira Daniel (0); Astrida Vicente (0); Sequiola Holmes (13); Nadir Manuel (5); Felizarda Jorge (0); Angelina Golome (0); Ngiendula Filipe (5); Luzia Adão (não jogou); Pauline Akonga (18); Emanuela Mateus (não jogou). Treinador: Apolinário Paquete.

FERROVIÁRIO – Elisabeth Pereira (2); Vilna Covane (1); Ingvild Mucauro (10); Rute Muianga (não jogou); Ana Jaime (0); Dulce Magaia (2); Anabela Cossa (17); Onélia Mutombene (2); Brea Edwards (0); Rachel Mitchel (0); Odélia Mafanela (15); Cecília Henriques (0). Treinador: Leonel Manhique.

Deanof Potompuanha/ César Bila

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